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Ferrovias Completam 150 anos no Brasil
Em 1854 as Ferrovias
surgiam no Brasil como uma revolução para o transporte nacional. No dia 6
de setembro de 1853, Irineu Evangelista de Sousa convidara um grupo de
jornalistas e autoridades à acompanha-lo em uma viagem de trem de apenas
3 km. Evangelista, em caráter experimental contruira a linha para
apresentar aos presentes que naquelas rodas estava o futuro do país.
Entusiasmados, jornalistas publicaram no dia seguinte, páginas inteiras
dos jornais com a novidade. Ainda mais entusiasmado, o então imperador
Dom Pedro II autorizou a construção da primeira estrada de ferro do país,
a Estrada de Ferro Petrópolis.
Apenas 7
meses se passaram, e em 30 de Abril de 1854, com 14 km de trilhos, era
inaugurada a primeira estrada de ferro do país. Rendia esta ao Brasil, um
passo à mais em direção ao futuro, e ao Sr. Irineu Evangelista de Sousa,
o título de Barão de Mauá (Vide texto ao lado).
A
locomotiva deste trajeto foi batizada com o nome de “Baronesa”, em
homenagem à esposa de Barão de Mauá, fora importado da Inglaterra.
A EF
Petrópolis transportava passageiros de diversos níveis sociais, divididos
em classes e fora tamanho o seu sucesso, que meses mais tarde, o governo
Imperial apresentaria um plano ainda mais ambicioso, a EF Dom Pedro II,
que ligaria o Rio de Janeiro à São Paulo, Minas Gerais, e seguiria em
direção ao norte do país. O plano seguiu em frente e em 1858 esta era
inaugurada. O cronograma de construção previa que partiriam de cada
capital um trecho de ferrovia, e no encontro deste complexo, estaria
concluída a ‘Dom Pedro II’.
Assim, a
EF Dom Pedro II partiria do Rio de Janeiro em direção à São Paulo sendo
que novos trechos eram construídos dia a dia. Em 1977 o trecho Paulista
se encontraria com o trecho Carioca.
Ao longo
dos anos, as estradas de Ferro foram se expandindo, e era grande o
mercado no país para o setor. Principalmente para os estrangeiros, pois
traziam para cá além do material para construção das ferrovias, cabeças
que ajudaram a projeta-las. Os engenheiros estrangeiros implantaram aqui
muito mais do que as técnicas de construção de estradas de ferro, mas a
cultura da diversificação de atividades com base à esta.
Na época
da construção das ferrovias entre Rio e São Paulo, fazendas queriam se
instalar ao longo das ferrovias, para obviamente, facilitar o transporte
da produção. Porém, as terras próximas às ferrovias também foram
compradas pelas empresas administradoras. No caso do Rio, pelo governo
Imperial, e em São Paulo, pela Companhia Paulista de Estradas de Ferro.
Resultado: a receita com a venda das terras era maior do que a do
transporte. Esta técnica era bastante comum no exterior antes de chegar
aqui, comprar terras à ‘preço de banana’ e revende-las ao preço do ‘caminho
do trem’.

Contudo,
um dos maiores desafios do mundo em termos de estradas de ferro seria
enfrentado por brasileiros. Dom Pedro II assinou em 1º de maio de 1875
decreto autorizando a construção da ferrovia Curitiba x Paranaguá,
animado pelos ótimos resultados no Porto de Santos, após a implantação
das ferrovias. O principal desafio deste trecho seria a Serra do Mar. O
projeto fora então encaminhado aos engenheiros europeus e o sonho
começava a ter um fim.
Diversos
engenheiros foram consultados, porém, todos deram o mesmo parecer ao
projeto: a obra era impraticável.
Morreria
aí o projeto de ligar ferroviariamente Curitiba ao Oceano, se não fosse a
brilhante idéia de entregar o projeto à Engenheiros brasileiros, que deu
início às obras em Fevereiro de 1880. Um dos grandes nomes da Engenharia
brasileira que tornou possível a realização do grande sonho, foi o do
Engenheiro Antônio Pereira Rebouças Filho.
Apesar
do sucesso da construção, existe nesse meio um dado triste. Nove mil
homens participaram da contrução, 5 mil nunca mais voltaram para casa.
Morreram na Serra do Mar diversos estrangeiros, camponeses que
abandonaram o serviço atraídos pelo bom salário da nova era do
transporte. Foi inaugurada em 2 de fevereiro de 1885.
Outro
cenário importante desenvolvido pelas Estradas de Ferro foi o do futebol.
Em 1895 Charles Miller colocava a bola em jogo em uma partida entre
Ferroviários. À partir de então, diversos times surgiriam, a maioria
deles, ligados à ferrovias. Muitos times mudaram de nome ao longo do
tempo, porém, existem ainda hoje, diversos times no Brasil com o nome ‘Ferroviária’.
Podemos destacar como times que se originaram de grupos ferroviários, o
atual Paulista (criado com a ascenção da EF Santos x Jundiaí) e a Ponte
Preta (Campinas).
No caso
do Paulista, este foi fundado no dia 17 de maio de 1909, por funcionários
da Companhia Paulista de Estradas de Ferro, no lugar do Judiahy Foot Ball
Club, fundado em 1903. A reunião de fundação se deu no páteo da
companhia, ao lado da locomotiva número 34 , entre adeptos e
simpatizantes (informações do site do time).
Em 1932
estourava a revolução dos paulistas, e estavam ali também os ferroviários.
Uma locomotiva foi preparada nos páteos da Companhia Paulista, em
Sorocaba, com blindagem e camuflagem típicas do que hoje é um tanque de
guerra. Apelidado de “Fantasma da Morte”, o trem serviu na linha de
combate na cidade de Piquete/SP, defendendo o lado Paulista. (Leia
Reportagem em Railbuss sobre o Fantasma da Morte).
Em 1950 o trem ainda estava no auge, eram 8 mil quilômetros de trilhos,
sendo que o ‘must’ da época era viajar nos luxuosos vagões restaurantes
que cortavam nossas estradas de ferro.
Porém,
em 1959 foi o ano do início da situação que conhecemos hoje, em 2004.
Dois grandes acontecimentos batiam de frente com o trem:
Juscelino
Kubitschek incentivava a indústria automobilística e era inaugurada a
Ponte Aérea São Paulo x Rio de Janeiro. Ao mesmo tempo, diversas empresas
de ônibus estruturavam suas frotas para fazer ligações entre cidades no
menor tempo possível, além é claro, do surgimento e logo após a duplicação,
da Rodovia Presidente Dutra. Era o fim do transporte de passageiros.
Um bom
exemplo da crise em que se encontrava o setor, era o Trem de Prata, que
partia bem cedo de São Paulo para o Rio. O serviço foi reativado mais de
3 vezes até 2000, 2 vezes em caráter turístico. Atualmente seus vagões
estão parados em Juiz de Fora, em um páteo da Rede Ferroviária e recebem
manutenção periódica, pois ainda são utilizados em datas especiais.
Em 1997,
o governo brasileiro iniciou o projeto de privatização das ferrovias e o
processo de liquidação da RFFSA (Rede Ferroviária Federal).
Com a
privatização, a Malha do Sudeste ficou com a MRS (cujo nome leva o
mesmo nome: Malha Região Sudeste), a região Sul em grande parte com a ALL
(América Latina Logística), as Ferrovias do Vale do Aço com a CRVD
(Vale do Rio Doce) e as do interior paulista com a Brasil Ferrovias.
O efeito
da privatização e do desmonte da Rede Ferroviária Federal, trouxe um
grande problema às administrações municipais, que viram o patrimônio
desta, se transformar em um verdadeiro ferro velho. Atualmente, muitas
cidades buscam adquirir os imóveis junto à Rede ou até na Justiça, para o
patrimônio do município. Na região do Vale do Paraíba Paulista, muitas
cidades já conseguiram sucesso neste sentido. Das muitas estações que
estavam abandonadas, hoje ainda se encontram em situação precária, a de
Cachoeira Paulista e a de Guaratinguetá/SP.
Porém, agora,
em 2004, com seus 150 anos, as ferrovias acenam em uma direção que pode
vir a ser promissora (ainda é cedo para conclusões). O mercado de cargas
cresce a cada ano e começam a surgir novamente os trens de passageiros,
agora de forma turística. (Veja em
Railbuss onde andar de trem).
Contudo,
há de se preservar a memória e prestigiar aqueles que ou batalham ou já
batalharam pelo desenvolvimento de nossas ferrovias.
Railbuss.com
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Visconde de Mauá é patrono dos Transportes
Em qualquer setor de sua
atividade, o pioneirismo é a característica principal. De ascendência
humilde, Irineu Evangelista de Sousa nasceu em Arroio Grande, município de
Jaguarão RS, em 28 de dezembro de 1813. Não é fácil delimitar a área da
ação de Mauá, industrial e banqueiro (feito Barão em 1854 e Visconde em 1874).

VISCONDE
DE MAUÁ (1813-1889) é o patrono do Ministério dos Transportes.
Entusiasta dos meios de transporte, especialmente das
ferrovias, a ele se devem os primeiros trilhos lançados em terra
brasileira e a primeira locomotiva -a Baronesa-, ligando o Rio de Janeiro
à raiz da serra de Petrópolis. A estação de onde partiu a composição
inaugural (30 de abril de l854) receberia mais tarde o nome de Barão de
Mauá.
O espírito público de
Mauá leva-o a apoiar financeiramente a Estrada de Ferro Dom Pedro II
(depois Estrada de Ferro Central do Brasil), mesmo sabendo que, pelo seu
traçado, iria desfechar golpe mortal na chamada Estrada de Ferro de
Petrópolis. Além dessas duas, Mauá participou direta ou indiretamente na
construção das cinco primeiras ferrovias inauguradas no Brasil: no norte,
a Recife - São Francisco (Recife and S. Francisco Railway) e a Bahia - São
Francisco (Bahia and S. Francisco Railway Co.). Obra inteiramente sua,
como o foi a primeira dessas estradas, é a Santos - Jundiaí (depois S.
Paulo Railway), a quinta inaugurada no Brasil (16 de fevereiro de 1867).
Também no setor bancário
desempenha Mauá papel pioneiro. Em 1851 organiza o Banco do Brasil e, em
1852, funda a casa bancária Mauá, Mac Gregor & Cia., com agência em
Londres. A ele se deve, ainda, o primeiro desses estabelecimentos fundado
no Uruguai - o Banco Mauá Y Cia. (1857), com autorização para emitir
papel-moeda. O Banco Mauá Y Cia. estendeu-se a Buenos Aires. Júlio Verne,
no romance "De la Terre à la Lune" (da Terra à Lua), escrito em
1873, cita o Banco Mauá Y Cia. entre as principais casas bancárias da
América do Sul, com capacidade para financiar o empreendimento de uma
viagem espacial.
Ocorre, em 1864, a
primeira crise econômica no Segundo Reinado, em conseqüência de
especulação de investidores estrangeiros e agravada pela guerra do
Paraguai. Cinco bancos vão à falência. Entres eles, em 1866, o Banco
Mauá, Mac Gregor & Cia., que prospera, no entanto, da mesma forma que
as filiais, do mesmo nome, no Prata. Segue-se, no Brasil, um período de
relativo progresso, após a guerra do Paraguai. Em 1873, sobrevém nova e
mais séria crise econômica e Mauá é forçado a pedir moratória, a que se
seguiu longa demanda judicial.
Em sua famosa
“Exposição aos credores e ao público” (1878), Mauá faz um relato
detalhado dos empreendimentos em que se lançou, a partir de 1846. Considerado
como sua autobiografia, o trabalho é escrito em estilo objetivo, mas não
lhe faltam passagens de um certo amargor. A falência é por Mauá
atribuída, principalmente, à hostilidade dos novos governantes uruguaios
e brasileiros, que não teriam procurado facilitar-lhe os negócios do
difícil transe por que passava, mas, ao contrário, impuseram-lhe
exigências momentaneamente insuperáveis. Outra causa, segundo Mauá, foi a
decisão do Supremo Tribunal de Justiça, em 1877, de reconhecer o foro de
Londres como o competente para julgar sua ação contra a empresa S. Paulo
Railway, devedora de soma considerável, à organização por ele dirigida. A
justiça inglesa considerou prescrita a dívida.
A simples enumeração dos
empreendimentos em que se lançou Mauá, feita na “Exposição ao Credores”,
demonstra sua participação e influência na vida nacional e, mesmo,
internacional. Além dos já referidos, podem ser citados: Rebocadores do
Rio Grande (1849-1850), Cia. de Gás do Rio de Janeiro (1851-1855),
Cia.Fluminense de Transportes (1852), Diques Flutuantes (1852), Luz
Esteárica (1854-1864), Canal do Mangue (1855-1858), Montes Áureos (1862),
Cia.de Curtumes (1860-1869), Cia. de Carris Jardim Botânico (1861-1868),
Abastecimento de Água (1874-1877), Cia. de Ferro do Rio Verde (1875),
colaborando, assim, de forma preciosa, para a solução do problema do
abastecimento de água à capital do Império, à organização de empresa de
transportes urbanos, devendo-se-lhe à criação do serviço de bondes à
tração animal. Destaque especial merece a instalação do primeiro cabo
submarino (1872-1874), ligando o Brasil ao resto do mundo, e a Cia. de
Navegação do Amazonas (1852-1872). Sobre esta última, reafirma ainda em
1878, sua esperança de que o governo “...não recuse dar àquele mundo de
riquezas naturais o impulso que ele está reclamando”.
Foi deputado pelo Rio
Grande do Sul, nas legislaturas de 1856, 1859-60, 1861-64, 1864-66 e
1872-75. Renunciou ao mandato em 1873, para atender aos seus negócios,
ameaçados desde a crise bancária de 1864. Doente, minado pelo
diabetes, só descansou depois de pagar o último vintém, vindo a falecer
em 21 de outubro de 1889.
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