Sábado, 04 de Julho de 2009

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A história do ônibus na cidade do avião
Por Leandro de Castro, da redação Railbuss

São José dos Campos é uma cidade moderna com mais de 600 mil habitantes e está localizada às margens da Rodovia Presidente Dutra, no eixo Rio –São Paulo. Forte polo industrial, tecnológico, militar e aeroespacial, a cidade é a segunda maior economia do Estado de São Paulo (perdendo apenas para a Capital – ganhando inclusive de regiões maiores como a de Campinas, Guarulhos e o ABC paulista) e foi apontada recentemente em uma pesquisa internacional como a 9a. melhor cidade do mundo para se fazer negócios. A quase 100Km de São Paulo, 300Km do Rio de Janeiro, a cidade é bem localizada. Estando no Vale do Paraíba, São José está próxima do litoral norte paulista (130 km), da Serra da Mantiqueira e seus acessos para o sul de Minas; e próxima também de Campinas (170 km).


Os meios de transporte foram de suma importância para São José dos Campos. A cidade mostrou notável crescimento a partir da década de 50, com a inauguração da Via Dutra, e na seqüência com as várias indústrias que apareceram às suas margens e também com a instalação do Centro Técnico Aeroespacial – CTA. O surgimento da EMBRAER e outras empresas do setor da aviação, nos anos seguintes, eram o que faltava para projetar de vez o nome da cidade no cenário internacional.

Antes de tamanho crescimento, a cidade era tipicamente rural, com poucos habitantes, sendo até então referência nacional para o tratamento da tuberculose, em função do excelente clima. A cidade era bem diferente do que é atualmente. O centro da cidade, por exemplo, era onde hoje é o bairro de Santana, às margens do Rio Paraíba do Sul. Bairros atualmente importantes da cidade, como Jardim Esplanada e Vila Adyanna, eram, até a década de 60, grandes fazendas. Um grande descampado existia da área urbanizada até a Via Dutra, para onde a cidade, nos últimos anos, cresceu ao encontro.

Até 1925, o complexo ferroviário da cidade, se localizava onde hoje está a Faculdade de Direito da Universidade do Vale do Paraíba, Tênis Clube e estação de tratamento de águas da Sabesp (estatal paulista responsável pelo saneamento básico). Inacreditável para as gerações atuais, ali ficava a estação de trens da Estrada de Ferro Central do Brasil e toda infraestrutura ferroviária, como vários armazéns e pátio de manobras.

E é neste cenário que surgem os primeiros relatos de transporte coletivo na cidade. Em 1884, surge a primeira condução coletiva de São José dos Campos. Seu proprietário, Bertolino José Machado, percorria os bairros da cidade com um veículo à tração animal. E o transporte urbano na cidade assim foi, durante quase quarenta anos, contudo, com outros proprietários em outros anos.

O ônibus propriamente dito, veículo motorizado, foi surgir apenas em 1920. Com apenas 19 anos, o jovem José Braz Pereira fundou a primeira empresa de ônibus de São José dos Campos. A Empresa Auto Ônibus Santana entrou para a história da cidade ao lançar a primeira linha de ônibus urbano, ligando o bairro de Santana (na época Santana do Paraíba – antigo centro) ao Largo da Matriz (atual centro da cidade – onde hoje fica o Terminal Urbano), com partidas a cada hora.

O serviço foi um sucesso, inspirando o jovem empresário a adquirir pouco tempo depois dois outros ônibus, que foram usados nas primeiras linhas intermunicipais de São José dos Campos. A primeira linha tinha como destino a capital do Estado, numa viagem que durava 3 horas e meia ao longo da antiga Estrada Rio-SP. Para São Paulo, partidas diárias, com saídas às 15h. O ônibus retornava no dia seguinte para São José, saindo às 8h45 do Largo da Concórdia, no bairro do Brás, em São Paulo. Além do trem, surgia uma nova opção de transporte para quem ia à São Paulo.

A segunda linha intermunicipal operada pela Empresa Auto Ônibus Santana, ligava São José a cidade vizinha de Jacareí. Com duas partidas diárias, uma às 10h15 e outras às 15h30, a viagem durava 40 minutos. Na volta, saídas de Jacareí às 12h e 18h. Ambas as linhas intermunicipais partiam do antigo Largo da Matriz.

Contudo, com o passar dos anos, o sucesso das linhas intermunicipais da Empresa Auto Ônibus Santana foi ofuscado em função do surgimento de outras empresas, muitas explorando novas rotas. A importância do ônibus aumentava, principalmente por alcançar destinos estranhos ao transporte ferroviário, em São José, limitado apenas a Central do Brasil.

Já em 1935 a recém fundada Pássaro Marron ligava a cidade à São Paulo, em função da linha que ligava a cidade sede da empresa (Guaratinguetá) à capital paulista, passando ainda por outras cidades do Vale do Paraíba. Nesta época, a empresa explorava a linha Rio – São Paulo, mais uma opção de destino servido pelo transporte rodoviário. A serra da Mantiqueira ficou mais perto, em 1939, com a linha para Campos do Jordão, inaugurado por Antônio de Oliveira Pires.

No início dos anos 40, mais outras empresas surgiam e movimento de passageiros impressionava para a época. A Empresa de Ônibus Vva. Marciano Leite com sua linha para São Sebastião (litoral norte) transportava 15.140 passageiros por ano. O litoral norte paulista se mostrava com rotas concorridas. Para Caraguatatuba, por exemplo, havia ainda a Empresa José B. Pereira Leite.

Nesta época uma outra empresa crescia bem. Explorando linhas para o sul de Minas (a população de São José dos Campos sempre foi predominante de mineiros), surgia com força a Empresa de Ônibus São Bento. Esta empresa existe até nossos dias, após uma sucessão de mudanças no quadro societário, explorando desde o fim dos anos 50, o transporte urbano de São José dos Campos. Sua linha principal ligava a cidade à Paraisópolis. Ao que consta era a que mais transportava em relação a outras empresas, tendo em vista que em 1940 havia transportado exatos 26.189 passageiros.

Bem diferente dos dias atuais, os 11 ônibus urbanos da época não sofriam com problemas de trânsito. São José dos Campos tinha apenas 127 carros e 102 caminhões trafegando nas ruas da cidade.

Em 1963, a Empresa de Ônibus São Bento adquiri, pela primeira vez, vários ônibus novos. Numa solenidade no centro da cidade, os veículos foram apresentados a população. Com veículos de carroceria Grassi e Caio Bossa Nova, montados sobre chassis Mercedes-Benz, os veículos ligavam percorriam 4 linhas, ligando o centro à antiga fábrica da Alpargatas (atual Shopping Vale Sul), ao CTA e aos bairros do Satélite e Santana.

Na década de 60, a cidade ganha uma rodoviária (atual rodoviária velha), ao lado da Igreja Matriz (antigo Largo da Matriz). Na história da cidade, os ônibus sempre paravam neste local, que era uma fazenda, posteriormente um grande terreno, cercado e a céu aberto, onde os passageiros entravam para embarcar. Até 1975 com a inauguração de um novo Terminal de Ônibus Intermunicipal (rodoviária Nova) todos os ônibus da cidade, sejam urbanos e intermunicipais faziam ponto final ao lado da Matriz. E desde 1975, restou a Rodoviária Velha, a função de Terminal Urbano.

Data da década de 70 as primeiras referências ao Metrô de Superfície de São José dos Campos. No projeto inicial, seria aproveitado o ramal desativado da Rede Ferroviária Federal, passando pela orla do Banhado (cartão postal da cidade), e fazendo a ligação da cidade com as vizinhas Caçapava e Jacareí. Tal projeto, de tempo em tempo, aparece em destaque, principalmente nas épocas de eleições, sendo certo que futuramente sua implantação será, tendo em vista o crescimento da cidade, de suma importância.

O crescimento da cidade de forma muito rápida preocupava a prefeitura municipal. Primeiramente, por que tal crescimento dava-se intensamente de forma horizontal. Outra por que o serviço prestado pela única empresa da cidade, a São Bento, de propriedade do antigo dono do jornal Vale Paraibano, não agradava muito a municipalidade. O início da década de 80 foi muito rico em fatos para os transportes urbanos.

Entre 1983 e 1984, a prefeitura encampou a São Bento. Através da URBAM (autarquia municipal de desenvolvimento urbano), a prefeitura prestava serviços de transporte urbano. Veículos adquiridos semi-novos do sistema de transporte urbano de São Paulo (Caio Gabriela com chassis Mercedes-Benz) rodavam com o nome da URBAM, misturados aos veículos da São Bento. Neste mesmo período, foi implantado um sistema integrado, no qual a Rodoviária Velha foi cercada, e no interior da mesma era possível a integração gratuita para outras regiões da cidade. A São Bento já contava nesta época com novo proprietário, o empresário mineiro René Gomes de Souza.

A procura de soluções para o transporte urbano, em 1983, em caráter experimental, foi trazido a São José dos Campos, um ônibus usado da Inglaterra de dois-andares. A experiência não foi bem sucedida. Anos depois, tal teste com veículos de dois pisos também foi feito em São Paulo pelo ex-prefeito, Jânio Quadros, através da extinta CMTC (Companhia Municipal de Transportes Coletivos). Contudo, os veículos eram nacionais, fabricados pela antiga encarroçadora Thamco, em Guarulhos (SP). Batizados de “Fofão”, a influência inglesa se mostrava, ao menos, na cor vermelha dos ônibus. Também não deu certo.


Com a exploração do serviço devolvido totalmente a iniciativa privada, a São Bento se divide. Inicialmente aparece a São José dos Campos Transportes Coletivos (posteriormente Viação Capital do Vale). Na seqüência, surge em 1984, a Viação Real. Todas as três empresas pertencentes ao mesmo grupo empresarial até 1998.

No início da década de 90, assim como na maioria das cidades paulistas, houve a inversão do fluxo, com a entrada dos passageiros pela porta dianteira. Surgem linhas integradas na região leste, sem a presença de cobrador no ônibus. Veículos de grande capacidade de transporte da marca Scania tomam conta das ruas. Os anos de 1996 e 1997 marcam o início dos ônibus articulados em operação. Deficientes físicos ganham em 1999 vans adaptadas ao transporte para portadores de necessidades especiais.

Em 1998 a Viação Real é vendida para o Grupo Viação Jacareí, que menos de um ano depois, devolve para o antigo dono, em função do intenso transporte clandestino na região de atuação da Real. O transporte clandestino marcou a 2a. metade dos anos 90, com violentos protestos de rua, ônibus enfileirados nas avenidas, “perueiros” queimando ônibus e caos diariamente. Embora tendo sido uma das primeiras cidades do Brasil a legalizar o chamado transporte alternativo, em 1994, tal medida provou em nada melhorar o transporte da cidade, além de incentivar novos clandestinos, sempre na expectativa de nova legalização.

Durante intensos debates eleitorais quanto ao monopólio do transporte, em julho de 2000, a prefeitura anuncia a venda da São Bento para o Grupo Constantino, que não mudou nada na empresa (exceto garagem), nem adquiriu novos veículos. Em agosto de 2002, a São Bento foi revendida para a empresa Costamar Transportes (Ubatuba-SP). Meses depois, os novos donos da São Bento venderam a sua empresa de origem (Costamar) demonstrando real interesse de criar raízes em São José dos Campos.

Atualmente, a prefeitura está empenhada em instalar um moderno sistema de integração dos ônibus da cidade. Todos os 309 veículos da cidade terão catraca eletrônica (com a presença do cobrador – garantida por lei) e o passageiro de posse de um cartão inteligente poderá trocar de ônibus, sem a necessidade de se deslocar para o centro. Há previsão para que os transportadores alternativos participem do sistema. Tal projeto (questão de honra da atual gestão) revolucionará o transporte na cidade, permitindo melhor qualidade de vida, tendo em vista a importância das transferências numa cidade que cresceu em 3 direções opostas, como uma estrela.

Transporte fretado: trata-se de um segmento de mercado extremamente disputado em São José, em função das várias indústrias na cidade. Várias empresas de outras regiões do Estado de São Paulo e do país já se instalaram em São José dos Campos. Em função dos contratos feitos diretamente entre as transportadoras e as fábricas, a concorrência é acirrada. Para perder a linha não precisa muito. Basta surgir um preço menor e melhor qualidade.

Comparado com outras cidades, verá que o transporte urbano não é o forte da cidade. Campinas com o dobro de população, tem 3 vezes mais ônibus urbanos do que São José. Sorocaba, que tem menor população, tem frota superior em número de carros, entre muitos outros exemplos comparativos possíveis.

Em função do alto poder aquisitivo da população, dificuldade de mobilidade em função da geografia (e ausência atual de sistema integrado urbano) e grande número de pessoas trabalhando nas indústrias, o transporte fretado tem grande prosperidade. Muitas empresas tiveram crescimento acentuado em pouco tempo por resolverem explorar esse nicho de mercado.

As principais empresas que atualmente exploram o serviço fretado são: TransVip, Breda Turismo, TURSAN, Redenção, Ação Turismo, Venetur, Braga Turismo, Viação Jacareí, Pássaro Marron e muitas outras.


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Que as ruínas históricas de Machu Picchu só foram encontradas em 1911 pelo americano Hiram Brigham? (série Turismo)


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