Fortuna e Família em Bananal no século XIX
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da redação Railbuss Por: Beatriz Pizzi
Durante o séc. XIX, o café era a principal fonte de riqueza do país, sendo Bananal uma área em que o produto teve uma grande projeção.
O café foi um delimitante de regiões do vale do Paraíba, grandes capitais foram aplicados na região, tendo origem este no comércio e entrada de pessoas de outros países.
Houve um período em que a Igreja proibia o uso do café pela sua cor escura, suspeitavam de ser um produto maligno, mas com o tempo o seu sabor caiu no gosto popular sendo amplamente consumido e comercializado, no qual as primeiras mudas foram contrabandeadas da Guiana Francesa para serem plantadas no Brasil.
Bananal, em 1854, era o primeiro produtor de café do país, gerando mais riqueza para a cidade. A origem da fortuna dos cafeicultores da província sempre foi uma suspeita, estudos demonstram que seria praticamente impossível enriquecer apenas com a atividade agrária. Uma das famílias mais ricas da época em Bananal era de Manoel de Aguiar Vallim. Este foi um dos homens mais ricos, chegando a obter 1% de toda a riqueza do Brasil, hoje significaria por volta de 8 bilhões de reais, chegando a fazer empréstimos para o Estado durante a Guerra do Paraguai, porém Vallim não conseguir conquistar o título de Nobreza, ficou um nível abaixo com o título de Comendador, pelo fato de ter feito trafico ilegal de escravos.
As famílias ricas do ciclo do café ostentavam o poder através de status, usando jóias, roupas luxuosas e outros objetos de grandes valores.
Visando riqueza, pois em 1870, a região começara a sentir-se abalada com a diminuição da produção de café e fim da escravidão, os senhores utilizavam-se dos “dotes”, no qual incorporavam homens poderosos no ciclo das famílias ricas. As mulheres recebiam bens antes da herança e os homens tornavam-se genros de outras pessoas ricas, normalmente produtores de café que queriam casar suas filhas, para receberem o “dote” da pretendente. Os Senhores do café procuravam casar suas moças com parentes próximos para que a riqueza permacesse na família. Mas com o passar do tempo o dote foi denunciado como um contrato mercantil, e a escolha dos pretendentes não podiam mais objetivar lucro.
Como uma estratégia para evitar o empobrecimento, pois o café estava correndo o risco de acabar e a escravidão tinha se findado, os grandes fazendeiros, passaram a investir nas Letras do Tesouro Nacional, e na criação de gado nos antigos cafezais.
Enfim, todo o comércio de Bananal sobrevivia do café e quando houve o declínio deste, devido à exploração das terras até a exaustão, a “cidade toda” empobreceu, colocando fim na ostentação dos luxos de certos indivíduos que tiveram ou não uma riqueza digna. Hoje, a cidade de Bananal herda os nomes das famílias e grandes recordações de uma riqueza que teve início em uma geração, mas não conseguiu deixar a riqueza para seus bisnetos.
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