Terça-Feira, 06 de Janeiro de 2009

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Exótica até no nome
Por Rafael Kalinowski, da redação Railbuss

Guaraqueçaba é a cidade mais isolada do litoral paranaense, por isso mesmo, o local é cheio de atrativos naturais praticamente intocados, como o Parque Nacional do Superagüi e a Reserva Natural do Salto Morato.
Estive junto com colegas de faculdade na cidade em agosto de 2001 a fim de fazer um trabalho de inventário turístico, ou seja, analisar e observar tudo e mais um pouco.

Onde fica mesmo?
Localiza-se a 174 km da Capital, na região litorânea do Estado, a 10 metros do nível do mar, sendo que o clima apresenta-se quente durante todo o ano. Possui uma área de 1.915,955 km², dentro da qual existem 3 (três) unidades de conservação: Área de Proteção Ambiental, Estação Ecológica e Parque Nacional.
Através de um vôo panorâmico realizado a 1.500 metros de altitude (agradeço aos Comandantes Cláudio Carraro e Rodrigo Muniz o apoio tático e ao Cessna 172 PR-EPA pela sua ótima performance), observa-se que a região de Guaraqueçaba está cercada por todos os lados por mata nativa, porém existem muitos pontos onde a agricultura já tomou conta. Outro ponto interessante percebido em vôo foi o fato de a PR-405 (a única estrada de acesso) ter sido feita seguindo os vales dos rios da região, por isso sua sinuosidade.

Como se chega lá?
A distância é de 174 km de Curitiba, seguindo pela BR277 ou pela Estrada da Graciosa (recomendo!) até Antonina, de lá pra frente são aproximadamente 80 km de estrada de terra, a PR405, bem sinuosa, com muitos buracos e pedras enormes, oferecendo muitos perigos, deixando o acesso terrestre é bastante deficiente, principalmente quando chove. Apesar de ter feito essa viagem com carro convencional, recomendo a utilização de veículos altos como S10, Blazer e Ranger já que existem muitas pedras e podem danificar o veículo.
De ônibus, a viagem dura 5 horas e é realizada com os cansados Viaggios e Nielsons da Viação Graciosa (www.viacaorgaciosa.com.br).
Outra forma de chegar é de barco. Para isso são utilizados barcos de madeira com motor de centro da Associação dos Barqueiros do Litoral Norte do Paraná. A viagem dura 3 horas com escala na Ilha das Peças. As saídas diária de Paranaguá são ao meio–dia de Segunda a Sexta e às 9:30 aos sábados e domingos. De Guaraqueçaba para Paranaguá sai um barco diariamente as 5:00h de Segunda a Sábado e aos finais de semana, as 15:30h. O valor da passagem é R$7,00.

Um 'geral' da localidade
O Município conta com cerca de 8.000 habitantes, maioria caboclo litorâneo que também ocupa as ilhas.



Por volta de 1638 e 1646, Gabriel de Lara, o fundador da capitania de Paranaguá, descobriu uma rica lavra de ouro nas encostas da Serra Negra. Revelando o achado, vieram os mineiros e os aventureiros para explorar os rios socavando o ouro de lavagem em diversos locais. Logo a seguir, com a chegada dos jesuítas, que fundaram em Superagüi um estabelecimento agrícola e religiosos, constituiu-se o primeiro aglomerado humano da região. O município foi colonizado por portugueses em 1545, sendo o primeiro do solo paranaense. Foi só no século passado, quando Cipriano Custódio de Araújo e José Fernandes Correia construíram uma capela no morro do Quitumbê, que foram surgindo em torno dela as primeiras edificações, formando em pouco tempo o povoado. Este povoado foi elevado em 1854 à freguesia e, em 1880 à município, sendo anexado a Paranaguá com simples distrito. Em 1947 sua autonomia foi restaurada e o município novamente instalado. Em tupi-guarani, Guaraqueçaba significa "lugar do Guará", uma ave semelhante a uma garça de cor bem avermelhada, que era abundante na região.
O município de Guaraqueçaba vive basicamente da prestação de serviços, ou seja, vive do turismo. Porém outras atividades como a pesca (camarão e pescado) e a plantação de banana (incluindo algumas exportações para países europeus como a Suíça) também são responsáveis pela movimentação econômica local.
Com relação a indústria, o predominante são as pequenas fábricas de móveis e algumas de produção alimentar, como balas de banana.
A cidade ainda recebe repasses do ICMS, IPVA, Fundo de Exportação e royalties de petróleo (devido a explorações em áreas do município). Mesmo assim, o PIB per capta é de R$1.020,93, bem baixo.


Atrativos turísticos
O conjunto de atrativos de Guaraqueçaba é bastante rico, concentrando-se em atrativos naturais e histórico, sendo o turismo ecológico um ponto forte para o potencial produto turístico Guaraqueçaba, principalmente na Reserva do Salto Morato e na Ilha do Superagüi. Abaixo alguns dos principais atrativos:


Igreja de Nosso Senhor Bom Jesus dos Perdões, construída em 1838, em estilo colonial com paredes grossas de pedra. Foi a primeira construção de Guaraqueçaba. Seu altar foi construído em forma de embarcação e a base é um peixe esculpido em madeira. Suas condições de preservação estão boas, tanto interna quanto externamente, porém seu interior aparenta estar pouco original.
Casario colonial, com exemplares arquitetônicos do século XIX, destacando-se o sobrado onde hoje funciona a sede da Estação Ecológica do IBAMA. As condições de preservação são excelentes, está equipada com auditório para 20 pessoas. Possui mostra permanente de matérias indígenas da região e de exposição através de cartazes da fauna e flora local. Quem administra o local é o IBAMA.
Mirante da Serra Negra, dista 74 km de Antonina pela estrada Antonina/Guaraqueçaba. Possui uma escadaria com 127 degraus e está a 30 metros de altura, possibilitando a visão da baía de Guaraqueçaba. Atualmente encontra-se em total abandono e para acha-la na estrada é preciso muita atenção, uma vez que não há sinalização.
Ponta do Morrete, região arborizada, com passarela a beira da baía, locais para banho e pesca no centro da cidade (sim, no centro!).
Ilha das Peças, parte integrante do Parque Nacional do Superagui, ponto de parada do barco regular que vem de Paranaguá.
Ilha do Superagui, local onde chegaram os primeiros portugueses ao Paraná em 1545, tombada em 1985 para preservar seu patrimônio histórico e natural. Lá existe o Parque Nacional do Superagüi com 21.400 hectares, que engloba quase a totalidade da ilha, mais a Ilha das Peças. Superagüi foi considerada pelo Unesco com Reserva da Biosfera pela natureza complexa e singular, formada por restingas, mangues, praias desertas, fauna rara, flora diversificada entre outras coisas. Há no parque trilhas demarcadas para turismo ecológico.
Rio Guaraqueçaba, com descida de canoa para apreciação da fauna e flora.
Morro do Quitumbê, com 800 metros de altura, proporcionando uma vista da baía de Guaraqueçaba, porém não há sinalização e o acesso é escondido e precário.
Baía de Guaraqueçaba, com seu ecossistema estuarino-lagunar.
Reserva Natural de Salto Morato, o principal atrativo da região, é uma reserva da mata atlântica que pertence a Fundação O Boticário de Proteção à Natureza, que vem fazendo um trabalho maravilhoso na região. Possui uma excelente infra-estrutura para receber visitantes e pesquisadores, contando com um Centro de Visitantes, camping para 40 pessoas, quiosques, churrasqueiras e lanchonete (um comentário: para quem viu o filme Jurassic Park a semelhança é enorme! Já que é uma estrutura de primeiríssimo mundo localizada no meio do nada com coisa nenhuma!) A flora e a fauna é bastante rica, sendo o principal atrativo o Salto Morato, com 80 metros de altura. Além do salto, a Figueira é imperdível (necessário guia), já que um milagre da natureza fez com que lançasse suas raízes por sobre os 6 metros de largura do Rio do Engenho, transformando-se em árvore-ponte. O acesso através da PR-405 é um pouco difícil, uma vez que é muito estreito e com alguns pontos de atoleiro, mas mesmo assim é obrigatório sua visita.


Hospedagem e serviços turísticos em geral


A cidade possui equipamentos simples porém aconchegantes. A maioria das pousadas são de propriedade de moradores locais e bem rústicas, sendo que na realidade foram feitas apenas algumas ampliações na casa para acomodação dos visitantes. Eu e minha equipe estivemos hospedados na Pousado do Yuassa, onde encontramos diárias a preços bem acessíveis, R$13,00, incluindo nisso quartos com capacidade para 3 pessoas, banheiro e ventilador. O hotel Eduardo I e o Guarakessaba cobram uma faixa de R$20,00 a R$25,00 por pessoa para o mesmo serviço oferecido nas pousadas, porém para um quarto mais aconchegante e com mais mordomias o preço sobe, podendo alcançar algo em torno de R$50,00 por pessoa para um apartamento com hidromassagem no Eduardo I, por exemplo.
Na Ilha do Superagüi também existem algumas pousadas de pequeno porte.



Com relação aos meios de alimentação, os turistas de uma maneira geral reclamam da falta de cardápio, uma vez que os restaurantes, em sua maioria, servem as mesmas opções de pratos, que são poucos também, variando não mais do que pizzas e sanduíches, além de “PFs” (pratos feitos). Os frutos do mar são para exportação! As opções noturnas também deixa a desejar, existem apenas três bares, sendo que o “agito” não passa de jogos de bilhar e pebolim, quando às vezes há um pagode, baile apenas um sábado a noite.
Porém quem vai a Guaraqueçaba quer mesmo saber de ecoturismo e aventura! Deixe a balada para a volta.


Sugestão de Passeios
(consulte a Gaia Turismo na cidade)

- Praia deserta na Ilha do Superagüi, percurso de 40 km de bicicleta.

- Trilha na reserva do Salto Morato, com guias.

- Trilha no Morro do Quitumbê, de aproximadamente 800m de extensão.

- Trilha no Morro do Bronze, com 4500m de extensão.

- Trilha no Morro do Baú com duração de um dia.- Trilha até a cachoeira das Quatro Quedas, com duração de um dia.

- Trilha pelo rio dos Patos e no Rio Pasmados

- Passeio de barco pela baía.


Mais algumas dicas
- Não deixe de levar repelente contra insetos, já que por estar 100% cercada por áreas naturais, os mosquitos são os donos do pedaço. Levar aparelhos elétricos (Protector) para serem ligados no local de hospedagem também é válido;

- Sugiro 3 dias de viagem, um para o Superagüi, um para os atrativos locais e um para a Reserva do Salto Morato;

- Evite a todo custo trafegar na PR405 na chuva, mesmo com veículos 4x4;

- Se puder, não vá de carro, vá de barco e volte de ônibus (que dá pra dormir) e lá contrate os serviços oferecidos pela Gaia Turismo, pois além de conhecer os caminhos, possuem veículos adaptados e guias;

- Para andar na praia deserta, leve mantimentos, já que a praia é deserta mesmo;

- Eu sei, é consumismo, mas não deixe de comprar um chapéu tipo Indiana Jones na boutique da Reserva Natural do Salto Morato!



Agradecimentos ao pessoal da UFPR: Paulo D. Schneider, Patrícia Lopes e Marcelo Moura

Links Relacionados:
- http://www.guaraquecaba.com
- http://www.fundacaoboticario.org.br/

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