Por Renato Fonseca, Guilherme Citolin, Paulo Sérgio V. Filho, da redação Railbuss Fotos: Renato Fonseca
 É na Praça da Paz em Ribeirão Preto que José Leonel Damasceno Filho mantém o seu ferreomodelo em escala 1:10. Esta é a frase que revela o nosso personagem, José Leonel, conhecido como Léo e também por seus modelos, denominados por ele como FerrLeo.
 FerrLeo teve início há 25 anos, quando José Leonel realizou uma viagem de trem entre Ribeirão Preto e Franca. "Foi paixão a primeira vista, não tenho parentes ligados à ferrovias, e decidi imediatamente começar a modelar", conta o metalúrgico, hoje com 47 anos.

Imagem de arquivo de José Leonel, no início do hobbyA partir daí, Léo começou a fabricar mini-locomotivas e estruturas, que vão de trilhos à viadutos. A operação das máquinas não é por controle remoto, como os ferreomodelos em escalas menores, mas sim pelo próprio "maquinista". Após o encaixe dos vagões e a carga completa das baterias - as mesmas utilizadas em automóveis - o operador senta-se sobre o primeiro vagão e através de controles elétricos acelera e desacelera a composição. De acordo com Léo, as composições são capazes de transportar até 6 crianças ao mesmo tempo.
Atualmente os modelos FerrLeo percorrem 400 metros de trilho na praça da Paz e são movidos a energia elétrica. Porém, sua obra vai mais longe. Atualmente empresas ferroviárias vem utilizando seus modelos e serviços para interagir com a comunidade. É o caso do serviço prestado por Léo para a Valec, empresa estatal envolvida na construção da ferrovia Norte-Sul. Foi no estado de Tocantins que um pedaço de sua mini-ferrovia foi instalado para conscientizar moradores e crianças sobre a importância da ferrovia e seus perigos.
E conscientizar não é uma função secundária da criação de José Leonel. "Não concordo quando falam que é um brinquedo. FerrLeo é uma forma de mostrar a importância da ferrovia, explicar porquê o trem leva vantagem em relação ao carro, ao caminhão. É um trabalho de cultura", explica.

As locomotivas são movidas a energia elétrica, através de bateriasA equipe de reportagem de Railbuss foi convidada por Léo a conhecer o local onde são confeccionados os modelos, sua própria casa. Não muito longe da praça, chegamos à sua residência em um bairro tranqüilo de Ribeirão. Logo na entrada, uma linha que percorre todo o quintal, do portão de entrada aos fundos, onde um galpão abriga modelos de locomotivas e vagões, uma delas inclusive, à vapor. Todas em testes, segundo Léo. Mas, é no segundo andar da casa onde achamos a fábrica de sonhos de Léo, a oficina.

No quintal, um pátio de testes e manobras...

... dentro de casa, a oficina.É na oficina, montada em um quarto com bom espaço, que Léo solta sua imaginação e planeja seus modelos. Na ocasião de nossa visita, estavam em manutenção duas locomotivas pintadas nas cores da Mogiana e uma da Fepasa. Diversos cavaletes, máquinas para corte de metais e madeiras e instrumentos de solda dividem o espaço com trilhos, modelos e projetos.

José Leonel, em entrevista ao RailbussLéo, que trabalha como metalúrgico em uma empresa, já vê há algum tempo o hobby como uma nova atividade profissional, tanto que já até criou uma empresa para gerenciar a FerrLeo. São contatos dos mais diferentes locais do Brasil à procura de seus modelos. O hobby se profissionalizou.

O repórter Guilherme Citolin testa a locomotiva: sucesso também entre adultos
Praça da Paz
Na praça da Paz, em Ribeirão Preto, o trajeto segue por boa parte da praça e os trilhos retornam no limite da rua que margeia a praça. Perguntado se Ferrleo parou por aí, José Leonel é direto. "A minha intenção é fazer com que os trilhos passem para o outro lado da rua e continue pela praça, que é dividida pela rua", entusiasma-se.
 Perguntamos também a algumas pessoas que transitavam pela praça no final da tarde, sobre a intalação da mini-ferrovia. "Passo aqui todos os dias e vejo o trabalho que ele faz com as crianças, no final de semana fica lotado aqui, eu acho interessante", diz a auxiliar de escritório Luciana Ribeiro, que trabalha próximo ao local e atravessa os trilhos para voltar para casa. Já o policial José Antonio, conta que até visitantes de cidades mais distantes vão ao local. "No começo acho que não entenderam muito a proposta dele, mas a prefeitura deixou ele ficar e hoje o pessoal vem de longe ver a ferrovia. Tem gente de Araraquara, de Franca".

Mini-estrutura: viaduto na Praça da Paz leva o nome do pai do modelistaO passeio na praça da Paz não é cobrado, mas exige que os visitantes reflitam sobre o papel da ferrovia entre os meios de transporte. Léo só permite que as crianças embarquem após responderem 3 perguntas. "Assim, estou ajudando a educar as novas gerações sobre meios de transporte", explica.
Visitas
Para o visitante, a mini-ferrovia funciona aos domingos na Praça da Paz em Ribeirão Preto.
Para os empresários que se interessarem pelo projeto, o telefone da FerrLeo é o (16) 3626-4976.
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