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09 de Setembro de 2007
Madrugadas subterrâneas
Enquanto a cidade dorme, o Metrô de São Paulo não pára

Por Leandro Machado de Castro, da redação Railbuss
Fotos: Metrô SP


O Metrô de São Paulo é mundialmente reconhecido por sua limpeza, conforto e manutenção. Com suas quatro linhas (1 – Azul, 2 – Verde, 3 – Vermelha e 5 - Lilás), o sistema transporta diariamente mais de 2,6 milhões de usuários. É um dos metrôs mais carregados do mundo, tendo em vista transportar tamanha quantidade de passageiros com apenas 60 km de linhas.

Tamanha responsabilidade faz do metrô paulistano praticamente a alma da cidade. Dias de greve dos metroviários têm maior repercussão e causam mais transtornos a cidade do que as greves de ônibus. O Metrô de São Paulo simplesmente não pode parar.

E ao contrário do que muita gente imagina, não pára mesmo. Embora a operação comercial do sistema tenha início às 4h40 da manhã e encerramento à meia-noite, a grande verdade é que o Metrô nunca pára. Para que o sistema tenha a eficiência que o faz prestigiado mundialmente, um exército de funcionários continuam em serviço mesmo após a saída do último usuário.

Os últimos trens partem das estações extremas de cada linha por volta da meia-noite (exceto na Linha 5, que atualmente está em fase experimental, com horário restrito e diferenciado), quando as estações fecham para o público. Começa uma verdadeira corrida contra o relógio. Em pouco mais de quatro horas tudo é visto para que o Metrô não deixe seus usuários na mão. Nas estações, o dinheiro das bilheterias é recolhido, faz-se lavagem das plataformas, corredores, acessos, vias e verifica-se o funcionamento dos equipamentos. Nada pode ser esquecido.

Os últimos trens que rodavam são recolhidos após suas respectivas viagens, retornando aos Pátios de Jabaquara (para os trens da linha 1 e 2), Itaquera (trens da Linha 3) (e Capão Redondo – para os trens da nova Linha 5). Estacionados, os trens são limpos por vários funcionários. Cada equipe de limpeza se reveza simultaneamente na limpeza de 2 trens, parados lado a lado. Assim, ganha-se tempo, executando o serviço em 2 trens em 45 minutos. Lavados internamente, balaustres e pisos são desinfectados. Posteriormente, os trens são levados ao lava-jato para que possam ter a limpeza externa dos carros feita.

Com a chegada de todas as composições no pátio, por volta de 1 hora da manhã, o terceiro trilho, que faz a alimentação elétrica dos trens em 750 volts em corrente contínua (exceto linha 5), é desenergizado pelo CCO (Centro de Controle Operacional), possibilitando aos funcionários do Metrô descer aos trilhos. Nas vias, túneis, elevados são executadas inúmeras atividades, em diversas locais e em todas as linhas. Inspeções visuais, lavagem de túneis, troca de trilhos, conserto de equipamentos na via e tudo mais que fica inviabilizado de ser feito durante o dia com trens passando a menos de 2 minutos, têm que ser feito em menos de três horas.

Entram em cena, por exemplo, trens diferentes daqueles que os passageiros estão acostumados a ver, como um caminhão sobre trilhos para transporte dos equipamentos necessários para serviços no interior dos túneis. Para corrigir os desgastes provocados nos trilhos pela constante e intensa circulação de trens, o trem esmerilhador resolve o problema. Contudo, em caso de desgastes mais profundos, como o que ocorre principalmente nas curvas da via, por exemplo, trocas de trilhos são feitas. Ainda, nos trechos em que os trilhos estão assentados sobre brita (em supefície, por exemplo), há a socadora, um tipo de máquina que faz a correção geométrica da via, corrigindo o afundamento do trilho, levantando-o para altura original do projeto.






Toda essa preocupação com a conservação do sistema, rendeu recentemente ao Metrô de São Paulo, a certificação ISO 9002 para o setor de Manutenção. Foi um dos primeiros metrôs do mundo a ter recebido tal qualificação.

Ainda, eventualmente, de madrugada, são feitas as trocas das publicidades das estações e nos trens, quando trens são adesivados e novos comerciais são postos em exposição ou retirados, após término do contrato com as empresas anunciantes.




A partir das quatro horas da manhã, a energização do terceiro trilho é restabelecida pelo CCO, após certificada que não há mais nenhum funcionário em serviço na via. Trens começam a partir dos Pátios Jabaquara e Itaquera, de onde são distribuídos para as estações extremas e também para algumas das estações ao longo da linha. Deste modo, às 4h40 quando as estações são abertas e as catracas são liberadas, os passageiros não precisam esperar muito pela chegada do trem, quase sempre já na estação a espera dos primeiros passageiros do dia.

Isso ocorre todos os dias, inclusive finais de semana e feriados, desde 1974, com a inauguração do sistema. Toda essa preocupação com a qualidade dos serviços prestados, faz do metrô paulistano, sem dúvida, um dos melhores do mundo. Essa é a rotina do Metrô de São Paulo. E mesmo enquanto a cidade dorme, o Metrô não pára.


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As locomotivas elétricas da utilizadas pela Fepasa tinham um sistema de recuperação. Em declives, o sistema devolvia energia para a rede aérea, e em tese a locomotiva até poderia funcionar sem estar com os pantógrafos levantados nesses trechos. (série Trens)


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