Aniversário é comemorado com novos produtos e lançamento de livro
Por Renato Ferezim, da redação Railbuss
 Única indústria fabricante no Brasil de materiais para o ferreomodelismo e completando 40 anos de existência, a Frateschi é uma empresa nacional sediada na cidade de Ribeirão Preto, no interior paulista. Comandada por Celso Frateschi e seu filho Lucas, a fabricante consegue a façanha de conquistar ano a ano novos ferreomodelistas em um país onde a cultura ferroviária foi transformada em sucata. Nesta matéria, vamos conhecer um pouco das origens e do período atual das Indústrias Reunidas Frateschi.
Criada em 1958 para fabricar brinquedos, era comandada por Galileu Frateschi. Nove anos depois mudava sua razão social para Indústrias Reunidas Frateschi, já com o filho de Galileu, Celso Frateschi, colocando em seus produtos a prática que adquirira no hobby nos anos anteriores. A escolha pela escala HO (1:87) aconteceu por esta ser a escala predominante na época, tanto nos produtos nacionais (na época, Atma e Estrela) como nos estrangeiros que aqui chegavam.
Apesar de grande dedicação pelo hobby, a Frateschi focou seus produtos em materiais compatíveis com a concorrente Atma por quase quinze anos, pois ainda não produzia suas próprias locomotivas, sendo a primeira lançada apenas em 1975.
Durante a década de 80 e 90, a produção foi concentrada em kits para montagens, formação de caixas básicas para iniciantes, ampliação da rede de revendas e exportação e parcerias com outros fabricantes. A aproximação com o cliente aconteceu em 1997, na comemoração dos 30 anos de existência, com o 1º Encontro de Ferreomodelismo (Leia no final desta matéria).
No ano 2000 a empresa melhora a qualidade de seus produtos acessórios, como trilhos, e lança novas locomotivas e vagões, além de novos kits básicos para ferreomodelistas iniciantes.
Nos anos posteriores, os lançamentos eram apresentados nos Encontros de Ferreomodelismos, organizados anualmente em comemoração ao aniversário da empresa. Nesta lista aparecem produtos como o Virador de Locomotivas (2001), o Trem Metropolitano Siemens/ CPTM (2002), Locomotiva Consolidation (2003), Locomotiva V8 e Vagão Old-Time (2004).
“A maturidade da Frateschi começa com o desenvolvimento da V8.”
Celso FrateschiPara Celso Frateschi, a história de sua empresa é dividida em 4 fases e é justamente à partir de 2004 que a empresa iniciou a vivência de sua ‘maturidade’. Passou pela iniciação, descobrimento de sua vocação, e atingiu a independência de sua linha de produtos. “A maturidade da Frateschi começa com o desenvolvimento da V8”, afirma Celso. A afirmação aliás, resume muito bem as mudanças aplicadas pela empresa na concepção de seus novos produtos. A Locomotiva V8 e o Vagão de Madeira Old-Time foram lançados em 2004 e são frutos de projetos com melhor nível de acabamento, produzidos em escala e em diferentes versões. Para garantir também uma fatia no mercado externo, foi implantado o selo CE (padrão de qualidade obrigatório para produtos eletrônicos comercializados na Europa).
Chegando à 2007, temos o lançamento da locomotiva C30-7, com adaptação para engates Kadee, acendimento do number board e rodagem mais suave (veja matéria aqui no Railbuss). Um grande avanço, na opinião de muitos ferreomodelistas nacionais.
Por trás de tudo isso está uma estrutura de produção muito organizada, encabeçada pelos próprios Frateschi, e também movida por um projetista, quatro ferramentistas e mais duas dezenas de funcionários. Conheça um pouco mais desta estrutura:
Da prancheta ao molde, a produção começa pela extrusão:

Extrusão: Com a injeção do plástico em formas, são moldadas as locomotivas e vagões...

... o material que sai da máquina Extrusora vai para o Setor de Pintura, onde é preparado para receber a pintura...

... que é especialmente preparada para uma boa aderência ao plástico. O cuidado com o processo e a qualidade indiscutível da pintura é um dos pontos fortes dos produtos da Frateschi.

A próxima etapa é realizada no setor de montagem...

... onde são montadas as Locomotivas...

... e os vagões.

Há ainda um setor especializado na montagem dos trilhos.

Ao final, os produtos recebem a embalagem e são colocados em caixas para a distribuição em todo o Brasil e em mais de dez outros países.
E o ferreomodelista brasileiro? Qual seu perfil e como assistiu a trajetória da Frateschi nestes 40 anos? E a Frateschi, como se relaciona com este público?
Para a grande maioria destes ferreomodelistas, a Frateschi é a responsável pela iniciação no hobby. Porém a mudança na situação econômica do país e a popularização da Internet tornaram o público mais exigente. Hoje por exemplo, o ferreomodelista pode consultar modelos de outras marcas em seu computador e até modelos importados com preços acessíveis.
Sobre esta evolução, consultamos Joel Prado, ferreomodelista há mais de 20 anos e residente em Araraquara (SP): “Acho que a qualidade e a diversidade de materiais melhoraram muito. Mas ainda há muito o que melhorar. Respeito muito o trabalho da Frateschi, tanto que a maioria do meu material é Frateschi.”
Levamos também para Celso Frateschi a dúvida de usuários enviadas à Estação Ferreomodelismo de Railbuss, sobre a potência de motores e escala. Celso: “Nossa linha de produtos é disponibilizada de acordo com o bolso do ferreomodelista brasileiro”. Ele ressalta que os primeiros modelos eram construídos em tamanho maior devido ao tamanho dos motores. “O custo de um molde é muito alto e não dá para ficar repassando ao nosso consumidor” diz.
Para se aproximar mais de seu público consumidor, a empresa promove todo ano o seu Encontro de Ferreomodelismo, agora na cidade de Campinas (SP). Frateschi conta que o primeiro encontro de ferreomodelismo Frateschi aconteceu por acaso em 1997. Foi organizada uma festa de 30 anos para a Frateschi e a repercussão do evento inspirou a realização do segundo evento, no ano posterior. Dez encontros depois, a Frateschi prepara seu 11º encontro e o lançamento do livro contando a trajetória da empresa nestes 40 anos de existência.

Celso Frateschi e o ferreomodelo da Locomotiva C30, lançado em julho.Comemorando ainda o último lançamento (C-30), Frateschi não revela seus próximos desafios, mas adianta: novos carros de passageiros e a produção de cantenárias ainda não estão nos planos.
Encerramos assim nossa visita à fábrica, fazendo votos de que o Ferreomodelismo seja um dos instrumentos de resgate do grande sonho das Ferrovias no Brasil.
O 11º Encontro de Ferreomodelismo acontece neste sábado (11/08/2007) em Campinas (SP). Para mais informações, clique aqui.
Colaboraram: Guilherme Citolin, Paulo Sérgio Vieira Filho.
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